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O Ninho
Introdução

Na criação “Intensiva e Dirigida” do curió em regime doméstico buscamos uma racionalização dos comportamentos observados na natureza. A reprodução das espécies cumpre rituais geneticamente pré-estabelecidos e que inexoravelmente os repetem todos os anos na mesma época cumprindo fielmente todos os seus aspectos, por todas as espécies de forma instintiva.

Na “domesticidade” do regime de criação do curió, simplificamos todos estes aspectos quando não o suprimimos totalmente, buscamos com tal comportamento a objetividade e simplificação das diversas etapas da reprodução interferindo de forma competente e decisiva para o aumento da eficiência e produtividade.

Em contra partida nos deparamos com situações típicas decorrentes das racionalizações e simplificações por nós impostas e que nem sempre são aceitas de pronto por algumas fêmeas, que sentem a necessidade de cumprir etapas que nós suprimimos quando não as simplificamos, é, por exemplo, o caso da construção do ninho, (lhes fornecemos o ninho pronto) elas necessitam em última estância do labor da sua construção, dos exercícios que este laborar exige, das contrações das azas contra as paredes do ninho buscando molda-lo a sua anatomia, todos estes aspectos (em algumas fêmeas) não podem ser simplesmente suprimidos pelo fornecimento de uma raiz de capim, que será transportada de um lado para o outro pela fêmea, já que fornecemos o ninho pronto.

Os exercícios de construção do ninho são fundamentais para uma postura tranqüila sem incidentes e no local adequado (dentro do ninho) seguida de incubação. O fornecimento dos ninhos prontos às fêmeas jovens provoca distúrbios na postura dos ovos bem como na sua incubação, sendo mais comum a postura sobre os poleiros devido à falta dos estímulos suprimidos, ou minimizados da sua construção, bem como a ausência de choco (incubação). A supressão desta etapa (construção do ninho) inibe os estímulos que conduzem as fêmeas jovens a porem os seus ovos nos ninhos e incubarem.

Solução do Problema
Para resolver o problema, devemos fornecer as fêmeas jovens em início de reprodução ninhos prontos, porem com 8,0 cm de diâmetro e não com 6,5 cm, e ainda fornecermos o material adequado e em quantidade suficiente a construírem por dentro do ninho de 8,0 cm o seu próprio ninho, cumprindo pelo menos nas primeiras posturas o ritual estabelecido pela sua genética e observado por nós na natureza. Os exercícios provenientes da construção do ninho assegurarão a fêmea os estímulos necessários ao bom desempenho da postura e a conseqüente incubação, até que ela habitue-se ao fornecimento da raiz (material para construção do ninho) que deverá ser considerada pela fêmea como elo entre as estruturas abstratas (o instintivo) e a prática ou ação concreta da construção do ninho.
Após termos fornecidos as fêmeas em época de nidificação uma variedade muito grande de materiais para construção do ninho, elegemos as fibras da esteira que fixa a folha do coqueiro ao tronco como sendo o material ideal, não só pela excelente aceitação por parte das mesmas, mas também pela qualidade e resistência das fibras podendo ainda acrescentar a sua abundância por todas as partes e em qualquer época do ano.
Colhemos de um coqueiro, as esteiras pertencentes às folhas maduras (observar fotografias em anexo), e procedemos da seguinte forma:

1. Flexionamos as melhores esteiras para provocar o afrouxamento das suas fibras e remover todo o excesso vegetal aderido.

2. Desfiamos toda a esteira selecionando as fibras mais resistentes com comprimento e espessuras mais adequadas.


3. Efetuamos a raspagem das fibras com o objetivo de limpa-las e removermos os excessos até que tomem o aspecto como se tivessem sido envernizadas, para tal mister, podemos utilizar uma pequena faca ou, uma chapa de aço perfurada com minúsculos furos por onde fazemos passar as fibras, puxadas por um alicate, uma a uma, (o orifício provocará uma extrusão removendo todos os excessos) ou simplesmente raspamos com a unha do polegar direito apoiada em pinça sobre o dedo indicador, enquanto a puxamos com a mão esquerda.

4. Concluída a limpeza das fibras, selecionamos todas as que possuem comprimento situado entre 25 e 35 cm. E reduzimos o tamanho das demais para que se enquadrem dentro destas medidas.

5. Proto o material, podemos começar a servi-lo as fêmeas em pequenas quantidades, que serão aumentadas à medida do interesse, ou seja, se estiverem sendo levadas para o interior do “ninho base de bucha”. Caso contrário fornecemos apenas três fibras, que servirão para desencadear todo o processo.

6. Fêmeas que pululam de um lado para o outro transportando no bico o material mais não desencadeiam o processo de construção do ninho, finda se desinteressando e abandonando-o no fundo da gaiola. A estas fêmeas devemos fornecer pequena quantidade do material (2 ou 3 fibras) que recolocamos nas varetas todas as vezes que encontramos no fundo da gaiola, tal procedimento finda estimulando a construção do ninho, aí passamos a fornecer mais material até que se consuma toda a construção. (ver fotografia do ninho em anexo).

7. No fim da estação de cria, observamos que o material após 3 chocadas ainda se encontra em excelentes condições físicas, aí recolhemos, lavamos com água fervendo, secamos ao sol e armazenamos para serem usados no ano seguinte, poderão ser utilizados por até três temporadas sem problema.

Obs: Fibras muito grossas devem ser evitadas, devemos dar preferência a aquelas que apresentam boa resistência e flexibilidade, que serão notadas com o arqueamento das mesmas durante a limpeza, proporcionando as fêmeas um excelente enrodilhar dentro do “ninho base de bucha”.
Observe as fotos, para vê-las ampliada clique sobre elas:

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